Brexit, dez anos depois: a tentação do retorno e suas condições impossíveis

Seguimento do caso : Brexit 10 ans : le bilan d'un divorce européen· Episódio 3/4

EuropeReservado a membros 23/06/20266Adicionar aos favoritos

Brexit, dez anos depois: a tentação do retorno e suas condições impossíveis
Illustration : Marie Yukimura Saitō

Em 23 de junho de 2016, o Reino Unido deixava a União Europeia. Dez anos depois, uma maioria de britânicos lamenta essa escolha, Bruxelas demonstra boa vontade, mas as condições para um retorno são exatamente o que o "Leave" havia rejeitado. O divórcio duradouro ilumina as fraturas profundas do projeto europeu.

Contexto

Analisamos, no décimo aniversário do referendo, as fraturas económicas e políticas duradouras introduzidas pelo Brexit no panorama europeu. Este 23 de junho de 2026, a atualidade impõe uma leitura adicional: o retorno é possível, e a que preço institucional e democrático?

Os factos

A Comissão Europeia, o Parlamento e os Estados-membros dizem-se prontos a «reiniciar» a relação com Londres (La Croix, 23 de junho de 2026). Keir Starmer, primeiro-ministro demissionário, tinha iniciado este reatamento antes da sua demissão. Le Figaro (23 de junho de 2026) nota que uma maioria de britânicos lamenta o Brexit sem, no entanto, querer um regresso completo à UE: as sondagens mostram que o custo de vida e a imigração agravaram o sentimento de fracasso. La Croix documenta que dez anos de Brexit levaram a pobreza britânica a um nível inédito desde há trinta anos. O antigo negociador Michel Barnier declara ao Figaro: «O aviso do Brexit é que é preciso ouvir as inquietações populares.»

Análise doutrinal e de fundo

A doutrina social da Igreja (Compêndio DSE n.º 435-436) insiste no princípio da subsidiariedade: as nações só devem delegar na União o que não conseguem realizar sozinhas. O Brexit revelou o défice de legitimidade democrática da UE – uma questão que o Magistério coloca desde Centesimus Annus (João Paulo II, n.º 44): a democracia deve ser substancial, não apenas processual. Uma união que não consegue convencer os seus membros da sua utilidade real não pode contentar-se em invocar as regras.

O caso David Cameron ilustra o custo da irresponsabilidade política. Como recorda Le Figaro, o homem que lançou o referendo manteve-se cuidadosamente afastado desde então. Brincar com a soberania popular sem assumir as consequências é uma falta que deixa marcas duradouras – uma lição de filosofia política que o direito natural formula desde Aristóteles.

Desafios para a Igreja e os fiéis

A questão do reatamento UE-Reino Unido interessa diretamente aos católicos por duas razões concretas: a presença de uma comunidade católica significativa do outro lado da Mancha, cujos direitos no direito europeu revisto estão em jogo, e a questão do modelo de subsidiariedade que a Igreja apela a defender face à tecnocracia bruxelense.

Leitura crítica e pontos cegos

Bruxelas diz estar pronta a acolher um reatamento, mas «sob condições»: aceitação do acervo comunitário, contribuição para o orçamento, livre circulação. Estas condições são exatamente o que o voto do «Leave» tinha rejeitado. O reatamento corre o risco de ser um miraggio político mantido por razões eleitorais, sem resolver o défice democrático de fundo que tornou o Brexit possível.

A meditar e agir

Dez anos bastam para medir o custo de uma decisão tomada na ira e com base em promessas mentirosas. A Europa, se quiser durar, terá de resolver a crise de confiança democrática que o Brexit tornou visível. Os católicos podem contribuir para tal defendendo uma visão da unidade europeia assente nas suas raízes cristãs e no princípio da subsidiariedade, não apenas na mecânica institucional.

O princípio da subsidiariedade na doutrina social da Igreja

O princípio da subsidiariedade, central na doutrina social da Igreja, afirma que uma sociedade de ordem superior não deve interferir na vida interna de uma sociedade de ordem inferior, privando-a das suas competências, mas deve antes apoiá-la em caso de necessidade (Compêndio da Doutrina Social da Igreja, n.º 186).

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François-Xavier LemoyneCorrespondant affaires européennes
Correspondant à Bruxelles, il suit les institutions européennes et leurs implications pour la liberté religieuse, la famille et la démographie.
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Comentários (6)

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Marta_Torino 26 Jun 2026 · 15:09

Dix ans après, les Britanniques râlent, mais Bruxelles ne va pas leur faire de cadeau. On ne rentre pas dans l’UE comme dans un moulin.

Léa75 26 Jun 2026 · 11:05

Dix ans après, c’est vrai que les Britanniques ont l’air de se mordre les doigts… Mais bon, comment revenir en arrière sans tout casser encore plus ?

J.P.R. 25 Jun 2026 · 14:56

Dix ans après, les Britanniques voient bien que ça a tout compliqué... Mais revenir maintenant, ce serait encore pire que de partir à l'époque.

le_sceptique 25 Jun 2026 · 14:33

Dix ans après, tout le monde voit que c’était une erreur, mais personne n’a le courage de le reconnaître franchement, ni à Londres ni à Bruxelles.

sophie.b 25 Jun 2026 · 14:15

Dix ans après, les Britanniques se rendent compte que c’était plus simple sur le papier. Maintenant, ils voudraient revenir, mais Bruxelles ne va pas leur dérouler le tapis rouge.

CurioBretagne 24 Jun 2026 · 08:35

Dix ans après, les Britanniques regrettent, mais Bruxelles ne va pas leur faciliter les choses. Ça promet.

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