France 25/06/20262Adicionar aos favoritos

Na quarta-feira, 25 de junho, a Assembleia Nacional realizou dois dias de debates intensos sobre o texto da ajuda a morrer, sem que nenhum único emenda alterasse o seu conteúdo. A votação solene de 30 de junho se aproxima, inevitável.
Em 25 de junho de 2026, ao final do segundo dia de nova leitura na Assembleia Nacional, o texto sobre a ajuda a morrer não foi modificado nem mesmo por uma vírgula, segundo a Gènéthique. Os debates foram qualificados como "sob tensão", mas a mecânica parlamentar se manteve.
A "segunda deliberação" foi alvo de fortes críticas procedimentais. Utilizada novamente para consolidar um texto já fechado em comissão mista parlamentar, esse procedimento é descrito por seus opositores como "uma nova moda para chegar ao texto desejado", contornando emendas de fundo.
A Sociedade Francesa de Acompanhamento e Cuidados Paliativos (SFAP) havia publicado em 23 de junho uma declaração contra o texto – sinal raro vindo do próprio cerne do mundo dos cuidados. O Conselho Constitucional havia fechado a via do referendo já em 2 de junho. Todas as vias de recurso preventivo estão agora encerradas.
A votação solene está agendada para 30 de junho de 2026.
O procedimento de segunda deliberação levanta uma questão de legitimidade constitucional. Ele permite ao governo submeter novamente à Assembleia disposições já adotadas, sem passagem pela comissão. É uma ferramenta regulamentar, não uma exceção: mas seu uso repetido neste texto, uma vez que os opositores buscavam introduzir salvaguardas médicas, sinaliza uma vontade de encerrar o debate pela técnica em vez de pela convicção.
A exclusão dos médicos do gesto letal, defendida por parte do grupo centrista, foi mantida no texto por vias procedimentais. Não é um acidente: é o sinal de que o legislador arbitrou a favor da "morte programada" no sentido exato que Leão XIV dava a essa expressão durante sua visita a Pavia.
A Igreja Católica distingue com precisão o abandono do encarniçamento terapêutico – legítimo e até desejável – da provocação deliberada da morte. A doutrina católica sobre os 'meios extraordinários' recorda que um católico não é obrigado a recorrer a tudo o que a medicina pode fazer para prolongar a vida, mas que não pode pedir a outrem que provoque ativamente sua morte.
O texto adotado confunde voluntariamente essas duas ordens. Ele inscreve na lei francesa um direito à morte provocada que nada na tradição cristã pode validar – não por rigidez, mas porque a lei natural inscrita na vocação médica é precisamente a de nunca se tornar "serva da morte programada".
Restam cinco dias antes da votação de 30 de junho. A grande novena de oração lançada pelo movimento católico cobre exatamente essa semana. É menos uma estratégia de lobby do que um ato de fé: a Igreja sabe que não pode impedir a votação, mas pode recusar-se a participar espiritualmente dela como se fosse uma normalidade.
A verdadeira questão não é saber se a lei passará – ela passará. É saber como os católicos da França viverão em um país onde a morte programada é doravante um direito. A resposta supõe compreender o que significa "dar testemunho" em uma democracia que fez essa escolha.
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Deux jours de débats et toujours pas un mot changé... On dirait qu’on signe un bail, pas qu’on parle de vie et de mort.
Deux jours de débats pour rien, le texte reste verrouillé. On a l'impression que tout était joué d'avance, c'est décourageant.
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